BACUARA

BACUARA

“Ser bacuara não é empreito comum, sequer é volição, sequer é objetivo, é pura descoberta, epifania grata, tudo nele vem naturalmente e tão necessariamente como o primeiro suspiro, aquele que se julga ter todo o saber decididamente não o é. Bacuara é luz entendida, jamais contemplada, é o círio permanentemente aceso contra o vigor de Éolo em apagá-lo. O bacuara apreende e muito, muito depois aprende e novamente apreende e assim em sucessivas pororocas centrifuga e fala.”

segunda-feira, 3 de maio de 2010

PERDÃO




Nest’alma, tantas vezes ferida e traspassada tantas vezes, nem
de agressões, nem de infamações, nem de preterições, nem de ingra-
tidões, nem de perseguições, nem de traições, nem de expatriações
perdura o menor rasto, a menor idéia de revindicta. Deus me é teste-
munha de que tudo tenho perdoado. E, quando lhe digo, na oração
dominical: “Perdoai-nos, Senhor, as nossas dívidas, assim como nós
perdoamos aos nossos devedores”, julgo não lhe estar mentindo; e
a consciência me atesta que, até onde alcance a imperfeição huma-
na, tenho conseguido, e consigo todos os dias obedecer ao sublime
mandamento. Assim me perdoem, também, os a quem tenho agra-
vado, os com quem houver sido injusto, violento, intolerante, malig-
no, ou descaridoso.




BACUARA: Ruy Barbosa

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