BACUARA

BACUARA

“Ser bacuara não é empreito comum, sequer é volição, sequer é objetivo, é pura descoberta, epifania grata, tudo nele vem naturalmente e tão necessariamente como o primeiro suspiro, aquele que se julga ter todo o saber decididamente não o é. Bacuara é luz entendida, jamais contemplada, é o círio permanentemente aceso contra o vigor de Éolo em apagá-lo. O bacuara apreende e muito, muito depois aprende e novamente apreende e assim em sucessivas pororocas centrifuga e fala.”

terça-feira, 6 de abril de 2010

SENSUALISMO


Imagine uma estátua no formato de um corpo humano. Imagine que ela é dotada de uma alma que nunca sentiu nada, nunca pensou nada.

Damos a ela um único sentido; o olfato, talvez o menos complexo dos cinco sentidos. Damos a ela um cheiro de jasmim e ali começará a biografia da estátua.

Por um instante, tudo no universo será aquele odor. No próximo momento, colocamos a fragrância de uma rosa e depois de um cravo.

Deixe que exista um único odor na consciência da estátua, e haverá atenção; deixe que a fragrância dure mais do que um momento e teremos a memória; deixe que uma impressão do presente e outra do passado ocupem a consciência, e teremos a comparação; deixe que a estátua perceba analogias e diferenças, e teremos julgamento; deixe que a comparação e o julgamento ocorram de novo, e teremos a reflexão; deixe que uma memória prazerosa seja mais vívida que uma não-prazerosa, e teremos a imaginação.

Quando as faculdades do Entendimento estão enraizadas, as faculdades da Vontade irão seguir; amor e ódio (atração e aversão), esperança e medo. A consciência de passar por diverentes estados dará à estátua a noção abstrata dos números; a consciência de ser o odor de cravo e ter sido o odor de jasmim dará a ela a idéia do Eu.


BACUARA: Etienne Bonnot Condillac

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