
"O verdadeiro culpado neste assunto, se há algum, não é meu filho: sou eu!"
O tribunal agita-se com o brado do orador. Ele bate com a mão no peito - e repete:
"Sou eu
"Eu que há vinte e cinco anos tenho combatido, sob todas as formas, as penas irreparáveis. Eu que venho defendendo em todas ocasiões a inviolabilidade da vida humana!"
O orador se agiganta - e o seu ardor chega ao auge:
"Esse crime (o de combater a pena de morte) cometi-o muito antes do meu filho. E me denuncio, senhores! Cometi-o com todas circunstâncias agravantes - com premeditação, com tenacidade, com reincidência!"
Uma pausa - e Hugo continua patético:
"Sim, o declaro; esse resto de penalidades selvagens, essa antiga e odiosa lei de Talião, essa lei de sangue por sangue, a tenho combatido em toda minha vida, senhores jurados; e enquanto houver, em meu peito, alento, hei de combatê-la com todas as minhas forças de escritor, em todos os meus atos de legislador. Eu o declaro (o orador extende o braço para o crucifixo que aparece no fundo da sala) ante essa vítima da pena de morte que está aí, que nos vê e que nos ouve! Juro ante esse patíbulo, no qual para o eterno ensinamento das gerações, faz dezenove séculos que a lei humana afrontou a lei divina!"
"Isso que meu filho escreveu, só o escreveu porque eu o inspirei desde a infância, porque, ao mesmo tempo que é meu filho, segundo o sangue, é meu filho segundo o espírito; porque quer continuar a tradição de seu pai! Eis aí um delito estranho e pelo qual me admiro que se queira persegui-lo!" (...).... (...).... (...)
"Filho meu! Hoje recebes uma grande honra, olhado como um ser digno de lutar, de sofrer talvez, pela santa causa da verdade. Hoje, entras melhor na verdadeira vida viril de nossa época, ou seja, na luta pelo justo e pelo verdadeiro. Orgulha-te! Tu, que não passavas de um obscuro soldado da ideia humana e democrática, estás sentado nesse banco que já foi ocupado por Béranger e Lamennais. Permaneças inquebrantável em tuas convicções - e que sejam estas as minhas últimas palavras: se tivesses necessidade de um pensamento para afirmar-te em tua fé no progresso; em tua crença no porvir; em tua religião pela humanidade; em tua execração pelo patíbulo, em teu terror as penas indefensáveis e irreparáveis, pensa, meu filho que estás sentado no mesmo banco onde se sentou Lesurques!"
BACUARA: Victor Hugo
O tribunal agita-se com o brado do orador. Ele bate com a mão no peito - e repete:
"Sou eu
"Eu que há vinte e cinco anos tenho combatido, sob todas as formas, as penas irreparáveis. Eu que venho defendendo em todas ocasiões a inviolabilidade da vida humana!"
O orador se agiganta - e o seu ardor chega ao auge:
"Esse crime (o de combater a pena de morte) cometi-o muito antes do meu filho. E me denuncio, senhores! Cometi-o com todas circunstâncias agravantes - com premeditação, com tenacidade, com reincidência!"
Uma pausa - e Hugo continua patético:
"Sim, o declaro; esse resto de penalidades selvagens, essa antiga e odiosa lei de Talião, essa lei de sangue por sangue, a tenho combatido em toda minha vida, senhores jurados; e enquanto houver, em meu peito, alento, hei de combatê-la com todas as minhas forças de escritor, em todos os meus atos de legislador. Eu o declaro (o orador extende o braço para o crucifixo que aparece no fundo da sala) ante essa vítima da pena de morte que está aí, que nos vê e que nos ouve! Juro ante esse patíbulo, no qual para o eterno ensinamento das gerações, faz dezenove séculos que a lei humana afrontou a lei divina!"
"Isso que meu filho escreveu, só o escreveu porque eu o inspirei desde a infância, porque, ao mesmo tempo que é meu filho, segundo o sangue, é meu filho segundo o espírito; porque quer continuar a tradição de seu pai! Eis aí um delito estranho e pelo qual me admiro que se queira persegui-lo!" (...).... (...).... (...)
"Filho meu! Hoje recebes uma grande honra, olhado como um ser digno de lutar, de sofrer talvez, pela santa causa da verdade. Hoje, entras melhor na verdadeira vida viril de nossa época, ou seja, na luta pelo justo e pelo verdadeiro. Orgulha-te! Tu, que não passavas de um obscuro soldado da ideia humana e democrática, estás sentado nesse banco que já foi ocupado por Béranger e Lamennais. Permaneças inquebrantável em tuas convicções - e que sejam estas as minhas últimas palavras: se tivesses necessidade de um pensamento para afirmar-te em tua fé no progresso; em tua crença no porvir; em tua religião pela humanidade; em tua execração pelo patíbulo, em teu terror as penas indefensáveis e irreparáveis, pensa, meu filho que estás sentado no mesmo banco onde se sentou Lesurques!"
BACUARA: Victor Hugo
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